
Emile Zola (1840 – 1902) é um dos mais populares novelistas franceses, tanto na França como no resto do mundo. Suas histórias são as que mais recebem adaptações para o cinema. Ele é considerado o precursor da escola literária conhecida como naturalismo. Sua mais longa obra, Os Rougon-Macquart, é uma série de vinte novelas que descrevem a vida de uma família francesa através de cinco gerações durante o Segundo Império (1851-1870).
Zola se inspirou na obra de Balzac (1799 - 1850), um escritor francês cujas obras também foram adaptadas em outro episódio de Contos e Novelas Francesas do Século XIX. Balzac escreveu A Comédia Humana, uma série de novelas do romantismo que dá uma visão abrangente da sociedade da época através dos diversos personagens recorrentes no romance. As ligações entre os personagens são mais profissionais. Zola se inspirou nesse projeto e o modificou ligeiramente.
Os Rougon-Macquart conta a história de uma família francesa através de cinco gerações. As ligações entre os personagens, e consequentemente o tema central do romance, não são mais profissionais, mas sim familiares: ligações de hereditariedade. O ciclo apresenta relacionamentos que não são acidentais (relações trabalhistas são basicamente circunstanciais), mas sim mais profundos (família, hereditariedade).
De fato, a hereditariedade era um dos temas científicos mais famosos à época. Zola queria fazer um trabalho "mais científico que social", diferente da obra de Balzac. "A hereditariedade tem suas leis, como a gravidade" dizia ele, "eu quero explicar como uma família se comporta dentro da sociedade, vicejando e dando à luz entre dez e vinte pessoas que à primeira vista parecem extremamente diferentes, mas que na verdade são intimamente ligadas umas às outras."
Para esse grande projeto científico, Zola imaginou novas formas de trabalhar que viriam a criar o novo movimento literário chamado naturalismo. Zola foi um precursor da implementação de métodos científicos na literatura. Ele rechaçou o estilo floreado e cheio de "palavras supérfluas" da literatura romântica. Ele queria uma linguagem clara, simples, precisa, que descrevesse a realidade da forma mais precisa possível. Jornalista por formação, ele recomendava que todos os jovens escritores fizessem o mesmo se quisessem adquirir um estilo sucinto e eficaz.

Ele inventou métodos de trabalho que não ficam longe dos adotados por escritores contemporâneos americanos, tais como os de séries televisivas. Primeiro Zola documentava tudo, viajando, conversando com as pessoas, tomando notas. Além disso, ele trabalhava contra a corrente, estabelecendo a linha narrativa de cada novela antes de escrevê-la, fichas detalhadas de cada personagem, planos arquitetônicos dos locais onde a ação aconteceria, e considerações sobre a intensidade que ele queria dar a cada capítulo. Os críticos ridicularizaram esses métodos, modernos para a época. Eles são agora a base da literatura mundial contemporânea.
Zola também compreendia o valor do dinheiro. Ainda estudante, viveu na miséria. Mais tarde, quando trabalhou com editoração, conseguia compreender o interesse tanto das editoras quanto dos escritores. Escrever em série é sempre melhor.
Seu romance L'Assommoir (1877) foi o livro que lhe trouxe sucesso. Sucesso este que deve ser entendido com seus matizes, já que o naturalismo era considerado um escândalo na época, especialmente pelo enfoque detalhado e documentado do alcoolismo, que é a doença hereditária que mais afeta a família Macquart. Durante toda a vida, Zola foi aclamado em todo o resto do mundo, porém duramente criticado em seu próprio país.
