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Entrevista com Antonio Albanese (Cetto La Qualunque) Qual é a história de Eleição à italiana? É uma micro-história sobre uma micro-comunidade. A história é sobre um político ignorante, machista, insípido e egoísta: o tipo de político que parece estar em toda parte hoje em dias. Que mensagem você e sua equipe queriam transmitir nesse filme? O que queríamos mostrar é que apesar de a história se passar há dez anos , esse tipo de corrupção acontece todos os dias. Eu sou filho da emigração italiana da Sicília e meus pais foram forçados a viver no norte. Foi chato ficar preso lá, mas também foi muito interessante do ponto de vista cultural: mesmo depois de dez anos, a vida da cidade pequena não tem mudado em nada. Queríamos retratar os personagens que vivem em lugares como esse. Queríamos eliminar o horrível sexismo, o cinismo, a maldade e, sobretudo, a ignorância de lugares como aqueles do filme. Como se preparou para um personagem tão peculiar como Cetto La Qualunque?
Eu tenho trabalhado com muitos personagens em muitas maneiras diferentes. Oito anos atrás, quando estava construindo esse personagem, queríamos ressaltar que esse tipo de político está em toda parte. A Itália está vivendo tempos muito estranhos, mas também estão acontecendo uma série de mudanças maravilhosas. Para onde quer que você olhe, as pessoas estão reagindo à corrupção na política com solidariedade. É bonito. Esse filme foi feito para expor um tipo de ignorância que tem de acabar. Quais são os paralelos entre a vida real e ficção nesse filme? Nesse filme você vai encontrar uma quantidade impressionante de paralelos com a política italiana moderna. Nós escrevemos esse filme faz alguns anos, mas parece que acidentalmente previmos o futuro, já que muitas coisas no filme estão acontecendo na vida real. Às vezes a realidade se parece mais com a fantasia nesse tipo de projetos. Foi difícil entrar no papel de um político corrupto? Foi muito difícil. Esse é o tipo de personagem que exige muita energia, tanto de mim como do resto da equipe. Eu coloquei minha fé no diretor, que também era meu amigo há vinte anos, para que mostrasse como me mover e como meu corpo tinha de reagir. No entanto, a parte mais difícil foi entrar na mentalidade do personagem. Poderia contar-nos um pouco sobre os "bastidores" do filme? Como criou a história e como a desenvolveu? Eu escrevi esse filme com Piero Guerrera, com quem tinha trabalhado por muitos anos. Eu conheci um produtor, Domenico Procacci, e o pessoal do Fandango e eles se apaixonaram completamente por esse projeto o que, honestamente, nem sempre acontece. Tivemos a sorte de nos harmonizar como um grupo. Você apresentou recentemente o filme no Festival de Cinema de Berlim, qual é sua opinião sobre isso?
É o que eu chamaria de um festival «sério». Não é para as celebridades, não há fofoca. É um festival que se concentra no cinema, na história e nas culturas de diferentes países. |


