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Entrevista com Susanna Nicchiarelli Cosmonauta foi seu primeiro longa-metragem, como se sentiu filmando-o? Muito emocionante! Filmar um longa de época sempre é difícil e também foi complicado trabalhar com os jovens, atores não profissionais que interpretaram os personagens principais. Apesar dos desafios, eu estava muito feliz de fazer finalmente um filme e nada é muito difícil quando a gente está trabalhando no projeto de seus sonhos. A trama mudou durante o processo de filmagem ou grudou do roteiro principal? Se tivesse mudado, como afetou o filme? Durante a filmagem, o editor editava as cenas e as enviava para mim, pelo que eu podia saber em que direção estava indo o filme. Alguns personagens, e os atores que os interpretavam, me surpreenderam, e eu ficava mudando o script para adicionar cenas ou linhas que pensava que ajudariam a moldar a história. Enquanto filmava, as palavras impressas no papel se tornaramcoisas vivas, e tudo mudou: os lugares, os figurinos, o elenco, tudo. A realidade nunca é tão limpa nem arrumada quanto o roteiro: ela pode surpreender, ela; pode desapontar, então enquanto a gente continua com a filmagem, é necessário ser flexível e se adaptar. Cosmonauta tem duas crianças no elenco principal, é mais difícil orientas as crianças ou os adultos? Por quê? As crianças são difíceis de orientar. De certa forma tudo o que fazem parece interessante e natural, mas, novamente, a gente sempre precisa considerar seu papel no filme em geral. A gente as ama porque as conhece pessoalmente, mas o público não as conhece, então é minha responsabilidade fazer com que o filme dê certo. Orientar os adultos também é difícil, mas de uma forma diferente: os atores profissionais podem fazer tudo o que a gente lhes pede para fazer, mas a gente tem que saber como pedir. Como se sentiram você e os atores voltando para a era do comunismo? Foi difícil para as crianças: a maior parte do tempo elas não tinham ideia do que estávamos falando. Embora eu não tenha vivido naquela época, tinha ouvido histórias sobre a vida no comunismo: eu tinha 14 anos quando caiu o muro de Berlim, tenho estudado o marxismo e testemunhei, juntamente com minha geração, o fim da Rússia Soviética. Mas os mais jovens... Para eles tudo era tão “novo”, até os termos que usavam, os países e os líderes dos que estavam falando... Eles não sabiam nada! Foi emocionante e muito desafiante para eles. Você realmente acredita que os sonhos podem ser alcançados se a gente for suficientemente persistente, como o mostra o filme? Eu não sei se isso era o que eu queria dizer com o filme. Tudo o que eu quis mostrar é quão difícil é lutar pelos sonhos, saber se eles são os sonhos certos e segurar as pessoas que a gente ama quando está lutando. Eu acho que é muito difícil identificar pelo que realmente vale a pena lutar. Essa é uma ideia importante nesse filme... Quais são seus planos para o futuro? Está envolvida em algum projeto novo? Eu acabei de gravar meu segundo filme, foi uma grande experiência e mal posso esperar até que estreie ! Chama-se The Discovery of Dawn e é sobre uma mulher que, usando um telefone, pode falar consigo mesma no ano de 1981, quando era apenas uma criança. |


