Entrevista com Alberto Ostini

Alberto

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Entrevista com Alberto Ostini (Roteirista)

Como surgiu a ideia de Os Segredos de Borgo Larici?
Ele surgiu a partir do ambiente histórico e social da Itália no início dos anos vinte, que era extremamente interessante: de um lado, o regime fascista tomaria o poder e levaria a Itália à tragédia da ditadura de Mussolini. Do outro lado, o partido socialista organizava os trabalhadores para obter mais direitos. No fundo, havia a experiência extraordinária de alguns vilarejos construídos por magnatas industriais em torno das suas fábricas. Vilas com tudo: casas para trabalhadores, uma escola, uma igreja, um pequeno hospital e até um cinema! No centro, obviamente, a fábrica e a casa do mestre da vila.

Como trabalhador, você poderia viver a sua vida inteira, do berço ao túmulo, dentro desse pequeno mundo "feudal e paternalista", sem nenhum contato com a vida fora da vila.
Era como um "experimento social". Era bom para as pessoas? Bem, os trabalhadores tinham educação, uma casa pequena e limpa, boa assistência médica para a época. No entanto, por outro lado, não seria apenas uma forma de controlá-los melhor? Para mantê-los calados? Na verdade, eles viveram em uma espécie de "Show de Truman", sempre sob a vigilância do mestre. Este mundo nunca foi explorado em uma série de TV, e achamos que poderia ser extremamente interessante.

Quais foram as suas principais inspirações ao escrever a história?
Como milhões de telespectadores, ficamos impressionados com o retrato magnífico de uma era e de uma família que vimos em Downton Abbey. Na série de Julian Fellow, há tudo: um fresco histórico (quadro), o contraste entre aristocracia e criados, uma grande investigação psicológica sobre todos os sentimentos humanos: amor, ódio, lealdade, inveja, paixão, amizade. Mas nós não queríamos criar uma cópia de Downton Abbey. Como eu disse, em "Borgo Larici", possuímos mestres e criados dentro da vila do mestre, mas também uma fábrica e trabalhadores: o jogo era ainda mais interessante e desafiador.

A segunda grande inspiração foi a reivindicação feminina da era. Para serem reconhecidas não só como mães e esposas. Lutar por seus direitos, como a educação. Queríamos que a nossa personagem principal fosse uma jovem mulher batalhadora e não conformista, lutando pelos direitos das pessoas à sua volta. Anita é uma mulher à frente de seu tempo. Por isso, mesmo que a série esteja ambientada em 1922, eu acho que é isso que a torna muito "contemporânea".

Como você descreveria a série para alguém que nunca viu ou ouviu falar sobre ela?
Em primeiro lugar, é uma história de um amor grande e complicado: Anita, filha de um trabalhador, apaixona-se por Francesco, o filho do mestre. O amor deles será forte o suficiente para superar os obstáculos sociais e as regras da época? Ambos, por amor, devem repudiar parte dos entes queridos e do mundo em que cresceram. Não é uma escolha fácil!

Mas também há um grande mistério. No início da série, um dos personagens principais é encontrado morto, foi assassinado. Investigar esse assassinato fortalece o amor entre Anita e Francesco, mas também os leva a descobrir alguns segredos que deveriam ser mantidos enterrados...

O que você achou mais desafiador quando escreveu esta série?
Os dois personagens principais da série são Anita e Francesco, mas ela é realmente uma série "coral". No elenco, temos 22 personagens, cada um com uma história que interage com as outras. Gerenciar essa enorme quantidade de personagens e linhas de história foi certamente a parte mais difícil do trabalho. Mas estamos muito orgulhosos disso: nenhuma das linhas da história é independente das outras. No início da série, elas se parecem com histórias diferentes, mas no último episódio você perceberá que fazem parte de uma história única, que vem do passado e que se desenvolve até hoje.

A série tem sido comparada com a premiada série Downton Abbey. Como você reagiu a isso?
Downton Abbey é uma das minhas cinco séries favoritas de todos os tempos (e também foi a principal inspiração para Borgo Larici). Tal comparação foi o melhor elogio que eu poderia ter recebido!

Você também escreve para quadrinhos e romances gráficos, como se dá a transição para a TV?
De forma muito natural, por que mesmo que tecnicamente os dois tipos de escrita sejam diferentes, ambos nascem de um "pensamento visual". Por isso, na verdade, as duas experiências de escrita são muito diferentes. Nos quadrinhos, você tem um diálogo com apenas uma pessoa: o ilustrador. É uma espécie de experiência "íntima" e você tem o controle completo do processo. Em uma série de TV é totalmente diferente: você tem que lidar com muitas pessoas: produtores, editores, o diretor, todo o elenco. É uma experiência de trabalho coletiva maravilhosa.

O que significa para você que a série esteja disponível para uma audiência mundial através do Eurochannel?
Considero uma grande honra e o reconhecimento maravilhoso do trabalho árduo que tivemos. Nunca vi na minha carreira um compromisso tão forte de todas as pessoas (elenco e equipe) que trabalharam nesta série. O fato de as pessoas em todo o mundo poderem ver o resultado do nosso esforço me deixa incrivelmente agradecido e feliz.

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