Entrevista com Dome Karukoski

Dome Karukoski

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Entrevista com Dome Karukoski (Diretor)

Como surgiu a ideia de fazer esta história de amadurecimento sobre duas meninas que crescem em uma comunidade muito religiosa?

 

Nós [Aleksi e eu] falamos sobre fazer um filme juntos. Ele estava interessado sobre o choque entre a Finlândia bíblica do norte e a Finlândia liberal do sul. Há várias religiões no norte. Ao mesmo tempo, eu tinha uma experiência da vida real de uma garota que tinha deixado a comunidade Laestadian e que foi desonrada por eles. Por isso, ela "perdeu" todos os seus irmãos e seus parentes.

Como você e o roteirista Aleksi Bardy abordaram a comunidade dos Laestadians, considerada uma das mais conservadoras na Europa Ocidental?

 

Nós queríamos fazer a história muito objetiva. Levando em conta que nenhum de nós tinha sido parte da igreja Laestadian, nós sentimos que era melhor não julgar algo que a gente mesmo ainda não tinha experimentado. É claro, fazer um filme perfeito sobre o tema é difícil, já que há um monte de detalhes nesta igreja.

Mas nós tentamos fazer a história tão real quanto fosse possível. Nós entrevistamos um monte de ex-Laestadians e também pessoas que ainda estão na igreja. Também tivemos projeções privadas para colher opiniões do espectador comum.

Eu queria mostrar a bondade e o amor que a comunidade tem, mas, ao mesmo tempo, a manipulação que tem sobre as mentes jovens. Esta manipulação pode não ser sempre intencional, mas a gente poderia dizer que as mentes jovens não são sempre livres.

Qual foi o seu maior desafio fazendo este filme?

Tentar mostrar os Laestadians em Helsinque. Há um monte deles em nossa capital e eles são mais liberais. Nós tivemos várias opções no roteiro para mostrar o seu estilo de vida, mas, no final, nós acabamos tendo apenas uma cena, onde um pregador da cidade está sendo mais misericordioso do que seus colegas do norte.

Também filmar no evento real do Serviço de Verão foi um desafio. Nesse evento vão 110.000 Laestadians e nós tentamos fazer o filme para que as pessoas não olhassem à câmera.

Há muitos momentos comoventes no filme que nos fazem sentir constantemente muito próximos dos atores. Como trabalhou com eles e como você se sentiu durante o processo de fazer este filme?

 

Eu sempre ensaiei muito bem com os atores. A gente teve um período de 4 meses de treinamento. Nós não praticamos todos os dias, mas durante esses quatro meses, os atores e eu teríamos de viver como Laestadians. Não podíamos beber álcool, assistir TV ou filmes (a não ser que fosse o trabalho relacionado), ouvir e dançar música rítmica, falar palavras grosseiras, e comer doces. Na verdade, doces não estão proibidos pelos Laestadians, mas nós o escolhemos em vez do sexo. Muitos de nós tínhamos relacionamentos e teria sido difícil não ter relações sexuais durante 4 meses morando com nossos parceiros. Então, os doces eram a alternativa óbvia para o sexo. Este ensaio fez os atores compreenderem melhor a culpa, a tentação e o desejo e os levou mais perto de seus personagens.

Mesmo com o incrível trabalho de câmara do diretor de fotografia Tuomo Hutri, quão difícil foi conseguir o forte estilo visual do filme?

 

Nós escrevemos o roteiro durante três anos e nesse tempo eu tive uma boa ideia de como devia se ver o filme. Depois, o talentoso Sr. Hutri lhe deu o toque final. Na verdade, o nosso único sofrimento foi o tempo. Nós tínhamos um monte de cenas externas e esperávamos que o típico clima finlandês, chuvoso demais, se tornasse ensolarado. Foi um dos verões mais quentes até agora e nos dias de chuva, choveu tão pouco que não se mostra na câmera. Assim, os atores atuariam como se não estivesse chovendo. A chuva é frequentemente muito útil em filmes como um elemento visual, mas eu queria que este filme fosse ensolarado e assim poderia ser um verão divertido para os personagens.

Como foi recebido o filme na Finlândia? Houve alguma reação da comunidade Laestadian?

 

Bem, é claro que a maioria deles não assistiu ao filme, já que foi proibido. A maioria das reações veio de pessoas que tinham deixado a igreja ou qualquer comunidade religiosa. Daquelas pessoas a recepção foi excelente. Eles amaram o filme e até me escreveram longas cartas sobre seu relacionamento com a religião. Mas, é claro que também recebemos críticas de pessoas religiosas. Isso era compreensível. O filme toca áreas muito críticas e questiona sua religião. Principalmente eu acho que a recepção foi positiva. O filme se tornou um sucesso bastante agradável. Vendeu 114 mil ingressos na Finlândia, quando 100 mil é um hit em nosso país. Também ganhou 15 prêmios de festivais em 9 países, então nós estamos muito felizes com a recepção.

Seu próximo filme, Lapland Odyssey, que estreou no ano passado em Toronto é um road movie cômico. Como foi a experiência fazendo este filme depois de ter feito principalmente dramas? O que vem depois para você?

 

Foi interessante trabalhar em uma comédia. É um alívio para a mente quando a gente pode relaxar. Ser selvagem e usar quase qualquer ideia maluca que você tiver. Eu definitivamente quero fazer outra comédia, especialmente uma como Lapland Odyssey que lida com questões humanas reais e ao mesmo tempo ri delas.

Mas antes dessas comédias, eu tenho alguns roteiros de dramas para filmar. Na maior parte eles são sobre a juventude e seus problemas. De alguma forma, eu estou interessado nesse mundo, que é frequentemente muito preto e branco. Isto é algo interessante em histórias onde um jovem inocente fica corrompido pelo conflito que ela ou ele encontra durante a história.

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