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Entrevista com Henrik Birch (Protagonista)
Como você se preparou para o personagem? Eu não sei se uma pessoa não dinamarquesa consegue notar, mas eu estou falando em um dialeto da parte do norte da Dinamarca, que é completamente diferente ao dinamarquês mais falado. Este dialeto tem sido usado muitas vezes para fazer as pessoas parecerem ou soarem ridículas. No filme, queríamos adicionar essa característica muito local e usar o dialeto como uma cor para tornar o personagem mais autêntico e certamente não ridículo. Eu cresci nesta parte da Dinamarca, então eu já conhecia o dialeto. No entanto, eu tive que praticá-lo muito para que ele ficasse tão perfeito quanto possível.
Desde que era uma criança e até completar 17 anos, eu frequentemente visitava o porto em Hirtshals e via os barcos chegando cheios de peixe. Então, eu estava bastante familiarizado com a cultura desses trabalhadores do mar. Também estudei a técnica utilizada nesses pequenos barcos de pesca. Ela é chamada de "snurrevod" ― uma forma muito ecológica de pesca, uma vez que não danifica o fundo do mar.
Para pessoas que não estão familiarizadas com a cota de pesca na Dinamarca e os problemas que Kesse enfrenta, você poderia explicar de forma simples como isso funciona e por que seu personagem está metido em tal problema? A cota é a quantidade que cada país tem permissão de pescar espécies diferentes em um ano. (Exemplo: Dinamarca, 30.000 toneladas de bacalhau, 150.000 de arenque, e assim por diante). Em 2006, o governo dinamarquês estabeleceu o sistema de cotas livre. Eles deram o direito de pescar o montante das cotas que a Dinamarca recebeu da UE, para os barcos de pesca na Dinamarca. As cotas se tornaram objeto de comércio. A consequência disso foi que algumas pessoas com dinheiro compraram cada vez mais pequenos navios com cotas e o preço subiu 1000% em dois anos. O Kesse não tinha cotas suficientes (os preços dos peixes desembarcados caíam porque os grandes barcos pesqueiros podiam reduzir os custos) e ele teve que alugá-los por um alto preço, muito alto para ter um bom lucro e foi forçado a "pescar contra a legislação no mercado negro".
Como você descreveria Kesse e os desafios morais que ele enfrenta? Kesse quer fazer o que é certo, mas é colocado em um dilema quando tem que demitir seu ajudante, Lars. A lei diz uma coisa, mas se ele quer ajudar a si mesmo, deve ir para o mercado negro. A bióloga marinha é como a inimiga dos pescadores, por isso, de certa forma, "ela é uma traidora", mas também se pode dizer que ela não é tão inflexível quanto muitos de seus colegas.
Este filme retrata a realidade dos pescadores na Dinamarca ou é apenas uma história de ficção? O filme retrata de forma muito honesta e detalhada a realidade dos pescadores em 2007-2008. A história mudou desde que fizemos o filme e restaram muitos poucos barcos de pesca pequenos.
O que você achou mais desafiante durante as filmagens de O Peixe Lua? (Tendo em conta o clima e muitas cenas no oceano) Toda a tripulação e o elenco ficaram enjoados na gravação no barco. Eu também tive problemas durante a natação com o peixe lua no Oceanário. Eu tinha que usar uma roupa impermeável muito apertada (que era, na verdade, muito pequena para mim), carregar garrafas pesadas de oxigênio nas minhas costas e usar um cinto de chumbo pesado para poder mergulhar. Eu não sou um nadador muito bom e tive séria hidrofobia, por isso, eu ficava nervoso para pular na água. Ao pular na água, eu estava muito perto da borda do aquário e as garrafas nas minhas costas bateram na borda. Eu não entendi o que aconteceu, mas fiquei na água de cabeça para baixo pensando "algo está errado aqui… Algo não está certo". Fui resgatado, mas todo mundo ficou um pouco chocado.
Você está trabalhando em algum projeto no momento? Pode nos falar algo sobre ele? Atualmente, estou fazendo uma série de TV chamada Norskov para a emissora de TV dinamarquesa, TV2, onde interpreto um policial legal. Eu também tenho em preparação uma produção para Netflix, mas ainda não é oficial.
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