Entrevista com Jan Dunn

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Entrevista com Jan Dunn (Diretora)

Como você teve a ideia para O Chamado?
Eu dei algumas ideias à minha produtora quando estava trabalhando em Ruby Blue, quando ela sugeriu que deveríamos fazer um filme de baixo orçamento e pensar neles como uma trilogia de baixo orçamento que poderia nos colocar no mapa para futuros filmes. Ela gostou da ideia das freiras quando eu disse que seria um cruzamento entre Black Narcissus e Women on the Verge of a Nervous Breakdown.

Você conquistou a colaboração de Susannah York de uma maneira muito engraçada; você poderia contar aos nossos espectadores sobre isso?
Eu estava pensando em convidá-la para ser a Prioresa mas com um filme de muito baixo orçamento é difícil passar pelos agentes, e eu estava tentando descobrir como a contactar. Gypo estava sendo exibido no Cambridge Film Festival e eu estava dando uma sessão de Perguntas&Respostas, e notei que Susannah York também estava atendendo na noite que meu trem voltava para casa. Então eu lhe escrevi uma longa carta, contando o quando eu amava seus filmes, particulamente They Shoot Horses, Don’t They, pelo qual ela foi nomeada para um Oscar, e que eu gostaria muito que ela fosse a minha Prioresa. Eu dei a carta ao programador do filme no festival, pedindo se ela poderia dizer coisas boas sobre mim quando desse a carta a Susannah. Mais tarde nessa noite o telefone tocou e lá estava a sua voz inconfundível, dizendo que ela tinha recebido minha carta e adoraria trabalhar comigo. Ficamos conversando no telefone por uma eternidade e eu fui visitá-la em sua casa em Londres na semana a seguir.

Como você conseguiu a inspiração para o filme, você visitou algumas ordens verdadeiras ou fez alguma pesquisa sobre conventos?
Há uma ordem fechada de freiras beneditinas a cerca de três quilômetros de onde eu moro em uma pequena aldeia chamada Minster. Eles estão baseados na Abadia de Minster e tem havido beneditinas ali desde o século XIII. Existem agora cerca de nove delas. Eu baseei a minha ordem nessa organização. O que mais me surpreendeu em uma ordem fechada, que é também uma ordem de silêncio, foi que quando eu fui até a porta para tocar a campainha, dava para ouvir muita conversa e risadas vindo de dentro da cozinha. Eu não estava esperando isso, mas conforme eu aprendi mais sobre ordens silenciosas, descobri que elas não são na realidade silenciosas o tempo todo. Elas têm tempo 'recreativo' todos os dias também, e este é um momento em que elas podem falar. Elas têm um tempo ecumênico de discussão bíblia também.

Eu também li livros e artigos escritos por freiras que ainda estão em conventos, que saíram ou estão prestes a entrar. A maioria dos livros eram bastante contemporâneos, mas também li alguns livros antigos sobre os princípios de São Bento e muitas curiosidades sobre os santos. Eu quis escrever um roteiro divertido também, e foi aí que entraram as curiosidades, especialmente porque eu tinha visto as minhas freiras em Minster fazendo todo aquele barulho rindo.

Você recebeu quaisquer comentários de freiras ou ordens em termos de gostarem ou não do filme?
O The Catholic Times recusou-se a analisá-lo por uma razão não revelada, o que é divertido porque eles nos deram permissão para usar sua revista como uma decoração no filme. É também sobre uma menina que quer (e consegue) se tornar uma freira. Um grande número de mulheres com mais de quarenta anos que são católicas vieram até mim depois de exibições para dizer o quanto adoraram o filme, tanto o humor quanto as questões levantadas no mesmo. Tivemos uma resposta fabulosa da audiência no Edinburgh International Film Festival, onde cada exibição ficou esgotada, e foi selecionado como o Melhor da Festa. A maioria do público era também mulheres com mais de quarenta anos, e acho que muitos delas eram católicas. Também um grande público católico em Dinard, na França, onde o filme esgotou com duas semanas de antecedência, e haviam filas para retornos. O poster americano foi completamente redesenhado para focar na comédia.
Lembro-me que na primeira exibição duas mulheres vieram até mim para dizer que sentiram que o filme "reafirmou-lhes a fé".  

Ele foi exibido no Festival de Cinema de Istambul, [que está em] um país muçulmano. Havia uma freira mais velha na platéia que levantou a mão durante as Perguntas&Respostas e disse que ela simplesmente amou a precisão do filme, o que eu achei muito interessante, porque eu também o apontei para ser bastante controverso.

Existem freiras incríveis e inspiradoras por todo o mundo que fazem todos os tipos de grandes coisas, e duas delas foram inspiradoras para a personagem de Ignatius, porque elas são muito provocantes e de confrontam algumas das coisas que o Vaticano ignora. Eu coloquei as freiras em um certo ponto lendo o relatório no jornal sobre a Chamada à Responsabilidade, que foi uma verdadeira campanha provocada em parte por freiras. Sacerdotes da África tinham começado a estuprar freiras, porque eles achavam que não iria apanhar HIV delas, o que aconteceria se eles continuassem a ter relações sexuais com as meninas da vila e prostitutas, mas o Vaticano não queria fazer nada sobre isso.  Este é apenas um exemplo das mensagens provocativas que eu quis plantar no filme.

Seus filmes são principalmente filmados em Kent; você já pensou em colocar uma história em uma cidade grande como Londres ou Edimburgo?
Estes três filmes foram inteiramente escritos com o local e restrições orçamentárias em mente. Eu preferiria muito mais apenas escrever um roteiro e não necessariamente pensar sobre a localização. Eu moro em Ramsgate, em Kent, e alguns da minha equipe vivem aqui também, por exemplo o meu editor e designer de som. Assim, é fácil para mim entrar no carro e começar a escrever na minha cabeça enquanto dirijo pelos locais.

Os meus próximos filmes têm orçamentos adequados e eu não considerei os locais enquanto os escrevo. Year of Wonders é inteiramente passado na verdadeira aldeia de Eyam em Derbyshire. A forma de financiar atual dá incentivos fiscais para encorajar cineastas para filmar em determinadas áreas e por isso não sei onde vou estar filmando meus próximos filmes. Eu estou comprometida para dirigir um ótimo roteiro inteiramente no País de Gales, com uma equipe principalmente galesa, escrito e produzido pela empresa galesa, e escritor galês, e mesmo assim o Welsh Film Fund não está disposto a financiá-lo. Eles querem financiar filmes maiores, de fora do País de Gales, que filmam só uma pequena parte do filme lá.

Se você tivesse um orçamento ilimitado, que história você gostaria de levar ao cinema?
A história da Rainha Matilda, a primeira rainha de Inglaterra. Ela tinha relação de sangue direta com o rei Henrique I, neta de William o Conquistador; ela tinha 16 anos de experiência como a Imperatriz da Alemanha, muito mais experiência que seu primo Stephen que lhe roubou a coroa. O povo da Inglaterra também sabia disso e foi assim que uma guerra civil começou. Foi uma luta pela coroa, o que levou a Matilda ganhar a coroa de volta para seu filho Henrique II, que começou a famosa dinastia Plantageneta. Tudo isso porque ela lutou por isso.

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