Entrevista com Juraj Krasnohorský

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Tigers in the city

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Entrevista com Juraj Krasnohorský (Diretor, co-roteirista e produtor)

Como surgiu a ideia de fazer o filme?
A ideia original veio de Siposova Lúcia, que eventualmente se tornou co-roteirista e co-produtora de Tigres na cidade. Originalmente a atriz têm uma propensão para escrever contos e este foi o segundo script dela que eu li. Eu gostei dos personagens e do jeito que ela estava descrevendo a minha cidade natal, Bratislava. Foi o espírito da cidade que me atraiu para começar a trabalhar no filme, a Bratislava que eu lembrava na minha infância e as histórias que eu conhecia. Uma cidade com um passado multicultural e multilíngue.

O que os telespectadores podem encontrar como puramente Eslovaco neste filme?
Eu vivi metade da minha vida, dos 14 aos 28 anos entre Genebra, Bilbao e Paris. Eu fui à Bratislava para fazer este filme, só por causa da cor e do espírito da cidade. O cinegrafista francês André Bonzel também entende o humor da cidade e conseguiu capturá-lo. Mais do que algo puramente eslovaco, eu gosto de pensar que é comum na Europa central: o humor trágico e a auto-ironia. Essa ironia e o humor também estão presentes na arquitetura, o edifício da Rádio Eslovaca é uma pirâmide invertida!

O que esperar do Tigres na cidade?
Tigres na cidade é sobre como nós (as pessoas que trabalham no filme), vemos Bratislava. É sobre os desafios de se tornar um adulto com a idade de 30 anos, e encontrar a pessoa certa para passar a sua vida. Isto é como a nossa geração vê o mundo em 2010. Os espectadores devem esperar ver uma cidade e personagens que provavelmente nunca tinham visto antes, já que não há muitos filmes que saiam da Eslováquia. E se há, é muito raro uma comédia colorida como Tigres na cidade.

Quão difícil foi fazer este filme? Levando em conta que é seu primeiro longa.
Fazer este filme foi a coisa mais difícil da minha vida até agora. Estudei física e matemática na universidade por cinco anos sem ser um aluno particularmente bom na escola. Isso foi um desafio. Mas fazer este filme foi ainda mais. O filme o fizemos em um momento em que o apoio do Estado para filmes na Eslováquia foi muito fraco e restrito a alguns produtores experientes. Nós decidimos não trabalhar com eles porque queríamos algo diferente. No início éramos três de nós, Lucia Siposova, Henrieta Cvangova (produtora) e eu. Com Henrieta fundamos uma companhia chamada Artichoke, e com Lúcia convencemos algumas pessoas a acreditar em nosso projeto para nos apoiar financeiramente e para fazer o filme. Hoje acontece mais e mais, mas pelo que eu sei, fomos os primeiros a usar fundos privados. Então, logo convencemos o Fundo Eslovaco Audiovisual para nos ajudar com a outra metade do orçamento e assim acabamos o filme. Ele foi feito com um orçamento muito apertado, mas a coisa boa é que conseguimos trabalhar profissionalmente.

Como você selecionou os atores?
Tivemos ideias sobre o elenco desde o início, quando começamos a escrever o primeiro rascunho do roteiro em 2008 com Lucia. Alguns dos atores trabalharam comigo em minha curta X = X +1, também distribuído pelo Eurochannel em 2010. O grande desafio era fazer com que os atores experientes trabalhassem, alguns são bem conhecidos na República Checa e Eslováquia. Eles são estrelas e tem um monte de trabalho. Eles assumiram o risco com a gente e eu estou muito feliz com isso. Além disso, Slavikova Ivica, que interpreta a irmã da protagonista, estreia neste filme. Ela foi Miss Eslováquia 2005, mas não tinha nenhuma experiência em atuar. É uma antiga amiga minha e eu sentia que o personagem seria perfeito para ela. Claro, a escolha mais ousada foi a do protagonista masculino, interpretado por Kristina Tothova, uma atriz.

Precisamente, Por que Badger é estrelado por Kristina Tothova?
Tomamos esta decisão muito no final, no último rascunho do roteiro. Nós entendemos que o que estávamos escrevendo era realmente a história de uma alma tentando encontrar sua alma gêmea. É conhecida a ideia de que todos têm qualidades femininas e masculinas. Rudolf Badger, o nosso protagonista, é um homem com uma alma feminina. É por isso que é mais difícil para ele do que para os outros homens ter sucesso com as mulheres. No filme, vemos a alma de Rudolf Badger, mas ouvimos sua voz masculina. Nós não sabemos o que a aparência é, isso não é importante. É a alma que importa. Kristina foi uma escolha perfeita.

Como diretor, qual é a sua visão para a indústria cinematográfica na Eslováquia?
Esta é uma pergunta que eu estou tentando responder faz algum tempo e não tenho ainda uma resposta definitiva. Meu principal objetivo tanto como diretor quanto como produtor de outros cineastas eslovacos é fazer filmes para o público europeu. Essa é a parte mais difícil para nós, conseguirmos que o nosso cinema saia fora de nossas fronteiras. Costumo perguntar aos meus amigos e colegas no exterior o que esperar de um filme eslovaco, qual é a imagem visual quando eu digo Eslováquia? Como a imagem que é feita quando se fala em Espanha ou França. Eu acho que um dos problemas é que as pessoas de fora da Eslováquia tem pouco conhecimento sobre o nosso país. Não sei se é mais como a Romênia ou a Alemanha. E quando pergunto sobre um tema que seria interessante para eles, o que lhes interessa, geralmente, é o comunismo, embora tenha terminado há 23 anos. Isso é basicamente o que ainda define a Eslováquia como país. No entanto, eu acho que há uma maneira de fazer filmes nesta região para um público mais amplo. Prova disso é o filme checo Alois Nebel, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Europeu. A condição necessária para o sucesso, juntamente com uma boa história, é trabalhar desde o início com outros europeus da indústria cinematográfica, coprodutores da Alemanha, França ou Reino Unido, e os agentes mais fortes de vendas. Portanto, não há mistério, apenas temos que estar mais em contato com a rede da indústria cinematográfica europeia.

Quais são os seus próximos projetos no cinema?
Estou muito perto de Andre Bonzel, que trabalhou no Tigres na cidade, mas que é principalmente um diretor, mais conhecido por co-dirigir o filme belga famoso Aconteceu Perto De Sua Casa. Temos um roteiro de comédia que escrevemos juntos e ele também tem um outro ótimo roteiro que eu iria ajudar a produzir. Mas estes são projetos grandes e precisam de tempo para amadurecer. Na Eslováquia estou desenvolvendo um roteiro que deve animar um documentário ficcional, bem como Vals com Bashir. É sobre o maior caso de corrupção da história da Checoslováquia comunista, que em parte levou à queda do comunismo em 1989. Este é um projeto para os próximos 3-4 anos. Mas meu próximo filme será provavelmente com um orçamento muito baixo. Será sobre um soldado que retorna de uma missão com PTSD, um tema amplamente discutido nos EUA, mas na Eslováquia as pessoas mal sabem o que é. A Eslováquia tem um grande contingente no Afeganistão, como parte da missão da OTAN, e temos casos desta síndrome na Eslováquia também. Vamos ver se é uma comédia como Tigres na Cidade.

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