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Entrevista com Laurent Jaoui

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Camus

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Entrevista com Laurent Jaoui (Diretor)

Porque você decidiu fazer um filme sobre Albert Camus?
Meu produtor foi quem me pediu que dirigisse um filme sobre Albert Camus. Ele sabia que queria fazer um filme sobre o autor, mas não sabia exatamente como. Eu queria dirigir um filme sobre um intelectual importante, para uma ampla audiência. Eu fiz algumas pesquisas e dei algumas sugestões. Eu quis mostrar a vida de Albert Camus através das cinco mulheres com quem ele teve um relacionamento durante os últimos dez anos de sua vida. Eu quis mostrar que a sua década final foi um desafiante período, de uma perspectiva sentimental, filosófica e política. Ele também estava passando por problemas com seus amigos, especialmente Jean-Paul Sartre. Foi um dos períodos mais negros de sua vida. Infelizmente, quando ele estava perto de resolver a maioria de seus problemas, ele foi morto num acidente de carro.

Durante a pesquisa para o filme, houve alguma anedota ou fato interessante da vida de Camus que impressionou um surpreendeu-o de alguma maneira?
Claro, eu aprendi muito! Eu aprendi especialmente que havia uma relação muito forte entre sua vida pessoal e pública. Normalmente eu não gosto de vasculhar a vida privada dos autores para compreender seu trabalho. No caso de Albert Camus, a ligação era clara. Por exemplo, é impossível de compreender completamente The Fall se uma pessoa não entender como estava a vida privada de Camus quando ele escreveu o livro. Durante aquele tempo, os autores muitas vezes descreviam suas próprias experiências em seus trabalhos de ficção, por exemplo, Sartre e Beauvoir. Isso foi mesmo antes da Nouvelle Vague francesa no cinema, onde os diretores usaram suas próprias vidas em maneiras muito óbvias em seus filmes. Foi a mesma coisa com Camus. Por outras palavras, fez sentido mostrar a vida privada de Camus porque isso ajuda a compreender o seu trabalho. Para outros autores já não é assim.

Porquê você decidiu focar nos últimos 10 anos da vida do escritor?
Toda a vida de Camus foi fascinante, mas eu escolhi concentrar na última década da sua vida. Quando eu dirigo cinebiografias, eu prefiro concentrar num período curto, em vez de mostrar a vida inteira da pessoa. O fim da vida de Camus é interessante porque foi um período muito desafiante para ele.

Quão difícil é fazer filmes em França, em termos de dinheiro e apoio?
A situação está mudando em França. França costumava produzir muitos filmes de TV, o que me permitia dirigir programas que eram sobre muitos e variados assuntos. Nos últimos quinze anos eu dirigi praticamente um filme por ano, o que é bastante. A média em França é de um filme a cada seis anos para a maioria dos diretores.

Agora as séries de TV são muito populares. Durante muito tempo a França não produziu muitas. Agora existem mais shows franceses. Isso torna mais difícil realizar filmes de longa metragem. A razão é que shows de TV levam muito mais tempo de emissão, então com o tempo restante fica muito pouco para se usar.

O que você achou mais desafiante durante todo o processo do filme?
A parte mais desafiante de um filme é sempre convencer as pessoas a acreditaram no seu projeto. Felizmente, ainda existe uma grande procura por filmes que cobrem uma grande variedade de assuntos. Cada vez que dirijo um filme, aprendo muito sobre um mundo completamente diferente. Eu sinto-me muito livre em termos do meu trabalho.

Na TV, em oposição à indústria do cinema, assim que as pessoas aceitam o projeto, as coisas correm geralmente com muita facilidade. Na indústria do cinema, o modelo de negócio é muito mais complexo, então alguns projetos nem sempre acabam sendo terminados.

Você está trabalhando em algum projeto de filme neste momento?
Eu estou trabalhando num documentários para a France 3 sobre Radio Londres, a estação de rádio usada pela Resistência Francesa e Radio Paris, a estação controlada pela Alemanha. O foco é no comediante francês Pierre Dac, que passou a maior parte da guerra na Radio Londres para contra atacar a propaganda alemã.

Estou também trabalhando num filme sobre os Presidentes Executivos de 40 empresas CAC, para entender suas visões sobre a França.

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