Entrevista com Lidia Rizzo

Rizzo
Hules

Return to Zucco, the Wine of the Son of the French King

Entrevista com Lidia Rizzo (Diretor)

Como surgiu a ideia de um documentário sobre vinho?
Eu estudei em uma escola voltada para a criação de documentários sobre o patrimônio cultural e ambiental, o que por sua vez me deu uma base em Artes e apreço por arquitetura. Quando fiquei mais velha e passei a beber vinhos de qualidade, foi tanto uma iniciação quanto um despertar: Eu entendi que o vinho era um perfeita máquina de contar histórias, não só pelo patrimônio cultural (o passado e sua história), mas também por contar histórias de famílias e das relações entre homens, mulheres e suas maravilhosas personalidades!

O que o vinho tem que você acha tão especial, para ter feito três documentários sobre o assunto?
A história do vinho me permitiu recontar perfeitamente a história da Sicília, desde suas origens, quando os Fenícios começaram a transportar vinho do Líbano à Sicília, no século 8 a.C., onde eventualmente se espalhou por toda a Europa. Não é fascinante saber que Champanhe nem existiria na França, se não fosse pelos Fenícios passando pela Sicília?

Por que você escolheu a história de Zucco e a propriedade do Duque de Aumale?
Durante a gravação do documentário sobre os vinhos da Sicília ocidental, acidentalmente descobri que o filho do rei da França produziu um famoso vinho chamado "Lo Zucco", em Carini, Sicília ocidental. E, em seguida, e eu percebi que era um "desafio feito só para mim", especialmente porque ninguém sabia de nada sobre essa história, nem os sicilianos nem os franceses! Por que um dos homens mais ricos do mundo, no fim do século XIX, decidiu produzir vinho na Sicília?

Para os que são novos no mundo do vinho, como você descreveria o documentário, o que vão encontrar de novo e interessante?
Através da história de um vinho que não é mais produzido, conto uma parte importante da história da França e da maior ilha do Mediterrâneo: Sicília. Eu conto a fascinante história do Duque D'Aumale, que foi exilado na França porque era um filho do rei, ele herdou uma grande fortuna, que não desperdiçou com mulheres e entretenimento, mas com livros antigos e obras de arte. Assim, ele transformou seu castelo de Chantilly na segunda mais importante coleção de pinturas, depois do Louvre. O vinho fez seu milagre: colocou os pobres camponeses de Montelepre, na Sicília, em contato com um príncipe real que amou a sua terra siciliana e seu vinho da mesma forma que ele amava "Le Tre Grazie" de Raffaello, ou o incunabulum "Les Tres Riches Heures" do Duque de Berry, mas principalmente, deixou registros que me permitiram descobrir as práticas do segredo "enológico" de Zucco!

Quão grande é o mercado para estes tipos de documentário tão especializado, levando em conta que não são temas atuais?
Pode ser um grande mercado, talvez pareça que atende a um público específico, como no meu caso, mas ele realmente ultrapassa fronteiras, já que também é um documentário histórico e poderia muito bem ter elementos "atuais", se eu fosse relacioná-lo de um modo contemporâneo, para que abrangesse um público maior.

Você está trabalhando em alguma gravação no momento?
Atualmente estou trabalhando em um projeto baseado nos vinhos do mais alto vulcão ativo da Europa, que faz parte da lista de Patrimônios da UNESCO: Monte Etna. Hoje, ele é chamada Borgonha Italiana, devido aos excelentes vinhos produzidos. Também vale ressaltar que o primeiro povo a produzir a "Nerello Mascalese", principal uva da região, começou a construir vinhas nos medievais, levantando paredes feitas com pedras de lava ao redor da montanha, dando ao cenário uma arquitetura única! Esta é a razão principal pela qual os produtores de vinho vem de todo o mundo: Estados Unidos, Suíça, Bélgica e mesmo de outras áreas na Itália!

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