Entrevista com Marjuta Slamic

 Slamic

Slamic

Entrevista com Marjuta Slamic (Protagonista)

Como você se envolveu neste projeto?
Eu trabalhei com o diretor Marko Sosic no teatro e nós nos conhecemos há muito tempo. Ele me convidou para colaborar neste filme e tudo começou a partir dai.

O que nesta história a fez aceitar o papel de Ida?
O papel de Ida é bastante complexo e não é muito frequente que este tipo de papel esteja disponível para mulheres. Por isso, não foi na verdade uma questão de aceitar. Eu fiquei muito emocionada de poder interpretar este tipo de personagem. Também por que eu tinha que falar com o sotaque bósnio.

Como você descreveria a personalidade de Ida?
Ida é uma mulher muito forte que se encontra em circunstâncias condicionadas pela guerra. Ela costumava ter uma vida normal, com um trabalho normal e fugindo da guerra ela tinha que aceitar qualquer trabalho que aparecesse. Isso é bastante comum nesta parte do mundo. Quando você deixa o seu país e se torna migrante tem que esquecer o que você era antes, por que ninguém vai lhe dar um trabalho para o qual você é qualificada. Ela também é uma pessoa que é capaz de ver além da aparência. O que eu realmente gostei foi que ela desenvolveu uma técnica de resistência quando viaja para mundos alternativos e se acalma com essa habilidade de acreditar na beleza.

Por que Ida é tão paciente com Albert, apesar de ele ser grosseiro e desrespeitoso?
Eu acho que é uma mistura de precisar de um trabalho e ver além da aparência de Albert. É surpreendente que ela sofra todo o bullying. Eu acho que quando você passou por uma guerra como a da Bósnia, realmente cruel e completamente difícil de entender para esta era, mesmo que a desumanidade tenha aumentado hoje em dia, você se torna muito duro e paciente ao mesmo tempo. Isso não parece mais tão difícil.

Na sua opinião, qual é a mensagem por trás da ideia da realidade "alternativa" que os personagens veem quando olham pela janela?
Como eu disse antes, eu acho que é a possibilidade de humanidade que ainda brilha nas pessoas, independentemente do quão feridas elas estejam. Ida vivenciou uma das guerras mais horríveis de nossa era e ela ainda consegue ver beleza e até mesmo pensar que sua vida vai além disso. Beleza é a sua fuga. E o mesmo acontece com Albert. É uma possibilidade de poesia nas situações mais feias. A arte oferece isso. Ela oferece uma fuga para a beleza.

Você está trabalhando em algum projeto no momento? Pode nos falar algo sobre ele?
No momento, estou realmente ocupada com o teatro em Nova Gorica, onde eu faço parte do conjunto. Eu não tenho projetos de filmes em andamento neste momento.

Voltar ao Uma Comédia de Lágrimas