Entrevista com Mark O’Halloran

Mark O’Halloran

Mark O’Halloran

Crédito obrigatório: David Maury

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Entrevista com Mark O’Halloran (roterista)

Como começou a trabalhar no roteiro escrito?
Eu comecei a escrever relativamente tarde, quando tinha 30 anos. Treinei-me no teatro quando eu estava na escola e trabalhei nessa área por um longo tempo. Então, eu participei de um interessante curso de desenvolvimento de personagem e foi nesse momento quando eu comecei a escrever vários peças. Logo escrevi vários roteiros que foram para a televisão. Tudo começou a partir do teatro.

O que te inspira a escrever?
Eu sou um escritor de observação. Eu observo as pessoas, as coisas ao meu redor quase todos os dias. Certamente, com Prosperidade, é isso o que é refletido. Nessa época eu estava vivendo ao norte de Dublin, que pode se tornar uma zona um pouco caótica. Eu fui inspirado pelas coisas que vi e ouvi em torno de mim.

O que você mais gosta, atuar, dirigir ou escrever?
Eu já dirigi em teatro, mas nunca para cinema ou TV, e não tenho nenhuma intenção de fazê-lo. Eu gosto de ser o segundo no comando, mas que o primeiro. Além disso, eu não sou uma pessoa visual. Eu escuto os roteiros. Com relação a ser ator, eu gosto da sociabilidade. Eu adoro estar em uma sala cheia de pessoas e encontrar a criatividade dentro desse grupo. Por outro lado, a escrita pode ser um pouco difícil e solitária. Mas eu encontro mais satisfação profissional quando escrevo.

Como você conheceu Lenny e como isso evoluiu na aliança de trabalho?
Ele produziu Adam and Paul, meu primeiro filme e também o do Lenny. Ele estava trabalhando em publicidade e estava procurando alguém com um bom roteiro. Alguém nos colocou em contato e desde o início compartilhamos uma alta sensibilidade. Eu tenho grande respeito por ele, é um diretor de primeira classe. Acho que eu tive sorte. Nós compartilhamos muitas sensibilidades, mas também temos algumas diferenças, e isso faz com que se construam interessantes relações.

Como você descreveria Prosperidade para o público que não sabem muito sobre a cultura irlandesa?
Diria que Prosperidade mostra uma imagem de pessoas à beira de um colapso de uma economia. Há uma cidade com muitas pessoas que trabalham, há um monte de dinheiro, mas também há um grande número de pessoas à margem, sofrendo, e que normalmente é o resultado de um problema institucional. Acho que há pessoas ao redor do mundo que podem compreender estas situações. Também são histórias muito comoventes, então não há que pensar muito para entendê-las. As personagens são intensas, o tipo de pessoas que você pode encontrar em qualquer cidade.

São as personagens baseadas em pessoas reais, ou uma coleção de coisas que você viu?
A personagem do pai alcoólatra já estava lá desde o filme Adam and Paul, demos apenas um pouco mais de tempo para contar sua história. O resto é resultado de minhas observações nas ruas de Dublin, baseadas em ideias de arquétipos. Nós todos sabemos o arquétipo da mulher migrante. Algumas das personagens tendem a ser um clichê, mas isso foi deliberado. Ao mesmo tempo, nos aprofundarmos neles, então eles estão além de um estereótipo.

Então, as pessoas de outros lugares podem aceitar esta realidade como a Irlanda de hoje?
Não tenho certeza se as personagens são culturalmente específicas. Eu acho que em alguns países têm uma ideia muito diferente da Irlanda mostrada na série. Todas as cidades do mundo são diferentes, mas em todas há semelhanças e há pessoas que sofrem.

Qual é a sua opinião sobre o cinema e a televisão irlandesa em termos de criatividade e competitividade com o resto da Europa?
Por muito tempo, a indústria cinematográfica irlandesa foi baseada na ideia que diretores americanos viessem para fazer filmes sobre nós. A indústria moderna, que começou por volta de 1998, está em desenvolvimento, tem mais estrutura. Vai levar tempo, mas estamos descobrindo e apoiando novos talentos. Um deles é Lenny Abrahansom, diretor de Prosperidade. A Irlanda também tem a maior população de cinéfilos da Europa, somos muito instruídos sobre o cinema, e isso está fazendo a diferença.

Você mencionou a situação econômica, como a crise afetou o financiamento do cinema e da televisão na Irlanda?
Eu acho que qualquer diretor do mundo vai dizer a mesma coisa, pois está difícil. Eu falo com produtores espanhóis com frequência e eles também estão sofrendo. Acho que quando terminar esta dificuldade, o fundo Irish Film vai trabalhar com pouco dinheiro, mas há maneiras formas de avançar.

Você está atualmente trabalhando em algum projeto?
Sim, eu estou no meio de três projetos. Um docudrama sobre as experiências de mulheres que têm que deixar o país, para poder abortars, estou adaptando um romance para a televisão britânica, e estou trabalhando em um filme em espanhol.

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