Entrevista com Samuele Rossi

Rossi

Entrevista com Samuele Rossi (Diretor)

Como é que surgiu a ideia do filme e do entrelaçamento de três personagens?
A ideia de O Caminho de Volta para Casa surgiu quando eu cheguei a Roma no início da minha carreira, aos 23 anos. Eu não podia suportar a distância de minha família, sua ausência: minha escolha mudou completamente minha vida e eu tive a necessidade de expressar esse tipo de sentimento. Como as pessoas conseguem superar sua dor? Como as pessoas podem ir em frente, transformando a dor em energia positiva através do processamento do luto? Eu pensei em falar sobre esse sentimento através de três histórias diferentes, pois a dor não é igual para todo mundo: cada pessoa sente algo diferente, então eu precisava contar a história através de diferentes perspectivas, para torná-la mais próxima das pessoas que passavam pela dor em três fases diferentes da vida. É um processo semelhante que um dos meus diretores favoritos, Alejandro Gonzalez Iñárritu, usou em seus primeiros filmes. É um tipo de cinema que eu amo. A vida é uma mistura contínua de reuniões, pessoas, histórias, vidas - a grande virada - então eu acho que o cinema tem de representar esse mistério infinito.

Quanto de suas experiências pessoais está neste filme e na personalidade do escritor?
Eu não vivi a mesma experiência do filme, embora meu pai tenha vivido algo semelhante ao que aconteceu com o meu personagem principal quando era jovem. Eu nunca senti esse tipo de dor, a dor de perder alguém importante. Mas eu senti falta na minha vida: quando você não pode viver a mesma vida que você tinha até aquele momento e tudo muda.

Na sua perspectiva, O Caminho de Volta para Casa é um filme sobre a realidade e suas dificuldades ou sobre a esperança na vida?
Ambos, eu acho. Eu acho que a vida nunca é a mesma. A vida é tão grande, problemática, maravilhosa e difícil ao mesmo tempo, que é impossível pensar na vida como algo unívoco e sem ambiguidades. A beleza da vida é que ela é abstrusa, ninguém consegue realmente entender toda a grandeza de todos os seus mistérios. Nossa missão é passar pela vida e tentar entender seus significados. Eu acho que o meu filme é sobre a beleza da vida - e a realidade da vida. A vida contém tanto a dor como a esperança, e em muitos casos elas estão conectadas.

Você também participou de dois filmes que foram anteriormente exibidos pelo Eurochannel: Cosmonauta e A Paixão. O quão enriquecedoras essas experiências foram para concluir seu primeiro filme?
Essas foram duas experiências muito importantes para mim. Em Cosmonauta, meu primeiro trabalho como assistente de direção, eu aprendi as primeiras coisas sobre o set e, especialmente, as relações difíceis que acontecem. O diretor está geralmente sozinho no set e cercado por um monte de pessoas que querem saber tudo. Assim, o diretor tem que ser capaz de ajudar, responder a todos, sem nunca perder sua perspectiva sobre o filme, para manter sua visão, sem comprometê-la. Durante A Paixão, eu tive a oportunidade de trabalhar com um dos mais importantes diretores italianos, Carlo Mazzacurati. Ele já dirigiu mais de dez filmes e aprendi muito ao trabalhar com ele, especialmente a forma de trabalhar com o elenco técnico e como conseguir o que você realmente quer.

Você esperava que sua "opera prima" fosse ser tão bem-sucedida como foi em festivais de cinema?
Os resultados foram realmente surpreendentes. O Caminho de Volta para Casa foi um filme independente, feito por uma jovem equipe de importantes atores italianos. Tenho certeza de que nosso filme foi realmente inesperado para o cinema italiano e estou feliz por ter feito algo que ninguém acreditava ser possível. Este é o meu maior orgulho. Então nós ganhamos muitos prêmios e fizemos muitos aparições em festivais internacionais e italianos.

Você está trabalhando em algum projeto de filme no momento? Você pode nos falar algo sobre ele?
Eu fiz o meu primeiro documentário no ano passado, A Memória do Passado, que já foi exibido nos cinemas italianos e também será exibido no Eurochannel. Atualmente, estou trabalhando em meu segundo filme, um filme inesperado e surpreendente sobre a beleza e o poder da infância, e em meu próximo documentário, Love Biography. Os próximos dois anos vão ser muito importantes para mim, minha equipe e minha empresa de produção, Echivisivi.

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