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Entrevista com Toni Bestard (Diretor)
Como você teve a ideia para esse filme? O filme teve um processo gestacional bastante comprido. Ele veio de uma conversa que eu tive com o roteirista (Arturo Ruiz) em 2004. Ele me contou que ele tinha tido um sonho com um homem que chegava a uma cidade para abrir uma loja, mas não sabia o que vender, então os residentes começaram a pedir coisas que eles precisavam. Nós achamos que isso era uma boa ideia inicial e começamos a falar sobre isso. A primeira coisa que veio ao de cima foi uma comédia, ao estilo de Luis García Berlanga (cineasta que ambos gostamos), mas conforme o projeto levou vários anos a se materializar, começamos a fazer muitas versões. Houve um momento crucial, quando eu decidi que a história devia ser desenvolvida em Maiorca. Isso resultou em mudanças drásticas no roteiro, porque a personalidade dos habitantes da ilha estava longe daquilo que Arturo tinha em mente.
Como você conheceu Colm Meaney, e como foi o processo de atribuir-lhe o papel principal? Foi bastante simples. Eu sabia que Colm costumava passar algum tempo em Maiorca com sua família. É muito comum conhecer atores de ao redor do mundo, já que é um lugar turístico. Eu arranjei seu número de telefone e liguei para ele. Aconteceu que ele estava vivendo apenas a 10 minutos da minha casa, então a gente se encontrou e eu partilhei com ele o roteiro e alguns dos meus curtas. Uma semana mais tarde ele ligou a dizer que aceitava o papel. Isso aconteceu dois anos antes das filmagens. Durante esse tempo, Colm e eu costumávamos reunir nossas famílias, e estabelecemos uma boa amizade. Então durante o filme eu trabalhei mais com um amigo do que com um dos atores mais importantes da Irlanda.
Tendo em consideração que ele não fala espanhol, quão difícil foi ser o diretor dele? Não havia outra escolha a não ser dar-lhe as instruções em inglês. Algumas vezes eu percebi que ele estava se sentindo como um peixe fora d'água, porque ele não conseguia entender o que estava acontecendo à sua volta. Eu sempre pensei que isso o ajudou a entender melhor seu personagem.
Você lembra-se de algum acontecimento engraçado dos dias das filmagens? Existem muitas histórias, especialmente para um filme com um orçamento baixo e trabalhando com um ator que filmou conosco dois dias antes de filmar com Robert Redford. Colm, por exemplo, nunca entendeu a parada ao meio da manhã para um lanche (em Espanha é normal comer um café-da-manhã leve e lanchar ao meio da manhã). Acho que ele sempre chegava ao set depois de ter comido um belo café-da-manhã continental, então era um pouco estranho para ele que a gente parasse as filmagens por 15 minutos para ter outro café-da-manhã, de acordo com ele. Ele é um pouco resmungão (ao estilo irlandês), o que resultou em situações hilariantes enquanto falávamos com um time completamente espanhol (ainda por cima "Mediterrâneo").
Você esperava o sucesso que o filme teve em festivais de filmes independentes à volta do mundo? Não esperava. Especialmente considerando os tempos difíceis para o cinema espanhol. Cada seleção e prêmio foi um presente para todo o time. Foi o reconhecimento por um trabalho bem feito, tendo em consideração que a maioria do time era nova e esse era o primeiro filme deles.
Quais são os seus projetos de momento? Eu estou no processo de pós-produção de um documentário chamado Finding David Prowse (Encontrando David Prowse), que conta a história do ator que fez de Darth Vader na primeira trilogia da Saga Star Wars (Guerra nas Estrelas). Estou também preparando o projeto de outro longa para o próximo ano; é a adaptação de uma peça teatral.
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