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Entrevista com Villu Kangur e Gert Kiiler (Roteiristas) Como você se envolveu no projeto? Villu Kangur: Entre 2005 a 2007 nós escrevemos um show de comédia na Estônia com Gert Kiiler. Tudo somado davam 46 episódios. E quando esse show acabou nós dois tínhamos um desejo de continuar trabalhando juntos. Embora nós os dois tenhamos escrito outros projetos de TV na época, nós tínhamos chegamos a uma compreensão excecional um do outro durante aquele trabalho prévio. E então Gert veio com uma ideia que pareceu muito maluca no começo. Gert Kiiler: Eu estava numas férias de ski, e eu estava sentado no meu quarto do hotel depois de um longo dia, quando eu vi That 70’s Show na TV. Dado que eu estava procurando por uma nova ideia para uma série de TV, de repente fez-se luz – por que não fazer algo assim parecido sobre a Estônia da época de 1980? Em primeiro lugar isso era um terreno completamente inexplorado, porque nos tempos soviéticos não tínhamos shows desses aqui. Também é muito diferente do Oeste livre daquele tempo. E por outro lado - tendo nascido em 1974, eu realmente amo os anos 80. Porque essa ideia de fazer uma série sobre a Estônia comunista? V. K: Eu me lembro de que levamos bastante tempo para convencer os produtores - a era soviética foi mais do que um fardo para os estonianos, nós tentamos esquecer aquele período tão rápido quanto possível. Mas quando uma pequena nação não consegue rir de si mesma, ela está condenada. Esses tempos foram tristes, mas mesmo durante um regime completamente totalitário você não pode perder seu sentido de humor. G. K: O regime soviético foi como uma peneira que tentou separar todo o bem do mal. Mas acabou acontecendo o completo oposto. Como quase sempre acontecia na União Soviética. Onde você buscou inspiração para os roteiros da série? V. K: Já que Gert é 17 anos mais novo que eu, isso funciona perfeitamente para nós. Nós conseguimos conter as fantasias um do outro soberbamente. Eu muitas vezes consigo usar memórias pessoais, porque naquela época eu já me tinha tornado de um hippie fora de época para um ator trabalhando no teatro estatal. Gert estava todo feliz na sua fase punk. A propósito, nós os dois trabalhamos no teatro e como jornalistas, então temos a habilidade de fazer generalizações baseadas em eventos reais daqueles tempos, e retratá-los através do humor. G. K: Em relação a mostrar as características dos tempos soviéticos, isso vem naturalmente das minhas próprias experiências e as de pessoas que eu conheço. Mas nada disso funcionaria sem o âmago universal dos relacionamentos humanos que não dependem de tempos ou regimes. Quanto perto da realidade da Estônia dos anos 80 está o show? V. K: Não é nosso objetivo dar uma lição de história aos espectadores. Mas tentamos ser tão precisos quanto possível nos detalhes. Então mesmo que algo não tenha realmente acontecido como mostramos no show, você sabe que poderia ter acontecido. Nós simplesmente estamos contando a história de uma família soviética de 1980 através de uma série de comédia. A coisa mais louca é que quando simplesmente deixamos nossa imaginação voar, os espectadores dizem que na realidade era exatamente como isso. Mas quando por vezes usamos uma história verdadeira do passado, já nos disseram: o que é isso, a vida não era assim tão estúpida naquela época! G. K: Tópicos e atitudes são muito similares à vida real daquele tempo. Pelo menos é como nós vemos isso. Nós simplesmente exageramos tudo - como você faz numa comédia. E nós não nos censuramos muito. Por quantas mais épocas a série vai continuar a deleitar seus espectadores? V. K: Nesse momento estamos escrevendo o cenário para a 7ª temporada. Até agora 53 episódios foram para o ar. Começamos a filmar outra vez em março e a Estonian Public Broadcasting encomendou mais 16 novos episódios até ao fim deste ano. Se tudo correr bem, devemos chegar aos 100 episódios, então estamos apenas na metade do caminho. Dado que somos apenas nós os dois a escrever, o trabalho é enorme. G. K: Obviamente nós queremos chegar a 20 de agosto de 1991 com o último episódio - o dia que a Estônia reconquistou sua independência. Neste momento estamos em 1985, quando Gorbachev chegou ao poder na União Soviética - esse foi o começo de uma era de rápido movimento, muitas vezes muito imbecil. Então a própria história nos oferece muitos momentos absurdos. |
