Entrevista com Vladimir y Oleg Presnyakov

Presnyakov
Playing the victim
Playing the victim

 

 

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Entrevista comVladimir e Oleg Presnyakov (Roteiristas)

De onde surge a história Fazendo-se a vítima?
Desde nossos anos de escola, tivemos a ideia de que a vida é muito semelhante a uma reconstrução policial e que nós temos o nosso papel nela. Mais tarde, fomos testemunhas da queda da Atlântida: o desaparecimento da União Soviética. Como se fosse uma das pinturas de Chagall, nós enfrentamos um turbilhão de realidade. Então, um dia acordamos em Londres e a nossa personagem, Valya, estava na nossa frente. Um cara que dorme com seu boné de beisebol e tem muito medo de viver sua vida, medo de ser honesto e apaixonado, medo de ser livre, porque ele acha que vai ser punido por isso. Queríamos superar esse medo da liberdade com ele. Tanto a nossa obra de teatro quanto o nosso roteiro estão cheios desse desejo.

Qual foi a ideia por trás, combinando o estado atual da juventude russa e da Europa com uma obra literária como Hamlet?
Sempre consideramos Hamlet como uma pessoa que nasce da palavra. Quer dizer, seus pais não eram "responsáveis" pelo aparecimento dessa pessoa que percebemos como Hamlet. Ele dá a luz a si mesmo através da reflexão e dos sentimentos. Em Fazendo-se a vítima nossa personagem enfrenta a mesma tarefa: você deve nascer de novo, nascer de seus pensamentos e da intuição da vida.

Fazendo-se a vítima é primeiramente uma obra de teatro adaptada para o cinema; quanto a história mudou?
Nós gostamos de misturar nossas peças. Nós gostamos de pensar que uma peça escrita poderia mudar como uma pessoa. Isso é o que o roteiro deste filme se tornou para nós, uma mistura do nosso trabalho. Na verdade, o filme está muito próximo da produção pela Royal Court Theatre de Londres em 2003 e o apresentado no Festival de Edimburgo. Nós estamos contentes que, de todos os atores que participaram da audição, encontramos a pessoa certa para a personagem de Valya. Foi um ator muito jovem, Andrew Scott. Nesta produção ele foi ótimo, porque ele realmente era como tínhamos imaginado Valya. Atualmente Andrew é conhecido por seus inúmeros papéis em produções de teatro e filmes, incluindo sua participação em Sherlock (série da BBC), como Jim Moriarty.

Vocês gostaram daquilo que o trabalho se tornou quando viram o filme?
Este filme teve um destino interessante. Passados sete ou oito anos desde a filmagem e o filme ainda ganha prêmios em vários festivais. Na Rússia, ainda é percebido por muitos como uma revelação dos tempos modernos. Acreditamos que hoje é muito difícil encontrar temas que poderiam envolver tanto. As pessoas vivem vidas muito diferentes, mas Valya, assim como o capitão da polícia, são capazes de chegar a diferentes gerações.

Se você pudesse, o que mudaria do filme?
Não mudaria nada, mas poderíamos ter feito algo muito diferente com o mesmo roteiro.

Atualmente, vocês estão trabalhando em algum projeto?
Por mais surpreendente que possa parecer, recentemente concluímos um projeto para o escritório russo dos estúdios Disney. É chamado de After School e é uma série de televisão de nove episódios sobre a vida dos adolescentes modernos. Neste projeto fomos os roteiristas e diretores. E justo nesse dia apresentamos um musical de rua, "Europa Ásia", no teatro em Budapeste. Pretendemos apresentar a nossa peça "Salman's head" em algum teatro. E se tivermos sorte, vamos fazer um filme que acabamos de terminar o roteiro: é um filme russo.

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