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Voltar ao O Bom Filho
Entrevista com Zaida Bergroth (Diretor)
Como é que surgiu a ideia deste filme? Eu tinha acabado de ver algumas relações de pais e filhos onde a criança estava agindo como uma espécie de cuidadora ou guarda-costas dos pais, e os pais estavam inconscientemente apoiando esse comportamento. Principalmente, tinham sido relações de pai e filho, mas quando pensei em transformá-las em uma relação entre uma mãe e um filho, e talvez com alguns tons edipianos muito sutis, fiquei muito animado. Acho que estou simplesmente interessado por histórias estranhas e complexas sobre famílias.
O filme começa com muitos elementos de comédia, mas evolui para drama e suspense. Essa mudança foi planejada desde o início ou se desenvolveu naturalmente? Eu acho que era parte do plano original. Foi muito divertido estar com esta família não convencional, mas é claro que eu estava o tempo todo consciente de que o problema subjacente é real e grave, e que, no fim, vai ser uma tragédia (mas com alguma esperança). Eu sempre gosto de misturar um pouco os gêneros, sem saber no início do filme onde é que isso vai nos levar.
Como você seleciona o seu elenco? O que os atores precisam para fazer parte do projeto? Alguns deles eu já conhecia. ElinaKnihtilä (que interpreta a mãe) e EeroAho (que interpreta Aimo) são atores famosos na Finlândia. Eu também conhecia Samuli, o personagem principal, de um projeto anterior, e ele estava na minha mente desde o início. Ele sugeriu Anna Paavilainen e, depois de um teste de tela, ficou claro que conseguimos o nosso conjunto.
Nós fizemos leituras em uma fase precoce, e ensaios, e deixamos isso afetar o roteiro. A gravação real era muito descontraída, com quase tudo acontecendo em apenas um local. Filmamos em ordem cronológica, para tornar mais fácil para os atores, e deixamos algum espaço para a improvisação e outras coisas.
Com este final inesperado, qual era a mensagem que queria passar com o filme? Eu não tenho certeza se chamaria isso de uma mensagem, mas eu queria que a mãe enfrentasse sua responsabilidade, ela é a única que tem de tomar a decisão final de entregar seu filho para a polícia. E com Unto, o irmão mais novo, há um elemento de esperança e fuga, talvez por causa de seu mundo mágico, ele vai conseguir sair de tudo isso ileso.
Quem são suas principais influências no cinema? Qual estilo ou diretor você mais gosta ou encontra inspiração ao ver seus filmes? Neste exato momento, os nomes que vêm a minha mente são Andrea Arnold, LynneRamsay e Jane Campion. Eu adoro seus estilos únicos e intransigentes, seus trabalhos contêm profundidade pela qual sou grato.
Como cineasta, como você vê o setor do cinema finlandês em termos de apoio e venda de bilhetes? Temos um bom sistema de apoio a projetos nacionais e espero que isso não mude. Também estamos muito bem comercialmente, há muitos grandes sucessos locais. Mas para filmes menores e talvez mais exigentes, como O Bom Filho, é mais difícil, uma vez que o público é muito pequeno (nós somos um país pequenino). Definitivamente devemos exportar mais esses filmes para o exterior.
Quais são seus projetos para o futuro? Em poucos meses, estarei gravando um projeto chamado Miami, sobre duas irmãs strippers que se perdem no crime e na corrupção. É basicamente um drama sobre irmãs, mas também uma história de crime. Outra mistura de gêneros... Também estou desenvolvendo um filme histórico baseado em uma história real sobre uma adolescente que se torna líder de uma seita religiosa.
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