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Entrevista con Nik Xhelilaj
Como foi o processo para que você se tornasse o personagem principal do filme? O produtor do filme na Albânia, Dritan Huqi, me falou de um jovem diretor alemão que tinha em suas mãos um projeto muito bonito. Para minha sorte, eu havia trabalhado antes em um filme com Dritan e, além da nossa amizade, ele também era um forte defensor da minha atuação. Ele me enviou à audição onde me reuni com Johannes Naber e consegui o papel.
Como se preparou para o papel de Arben? Eu me preparei perdendo cerca de 20 a 22 kilos. O que me fez sentir como se estívesse trabalhando esses "métodos de Hollywood". Foi talvez a única maneira de chegar a Arben. Bom, não só perder peso, mas também, ao mesmo tempo, ir as montanhas e viver com os moradores três semanas antes de iniciar as filmagens.
Acredita que Arben pode ser classificado como um esteriótipo dos imigrantes albaneses na Alemanha? Sem dúvida não é um esteriótipo dos albaneses dos dias atuais, mas se parece com eles quanto a cumprir sua palavra e fazer tudo em nome da honra e do amor. Os sentimentos de Arben sim são esteriotipados.
Recordo-me que em uma das sessões do filme em Munique, em um festival de cinema, havia alguns albaneses. Esperaram até o último crédito desaparecer e logo um deles se levantou e gritou: “Ei Arben, você é um de nós!” Sua voz tremia. Depois do filme, não me deixavam ir. Nós tomamos uma cerveja juntos e chamei a Johannes para que se juntasse a nós. E ele disse a Johannes: "você é o primeiro alemão que eu gosto”.
Esperava que o filme fizesse tanto sucesso em festivais? Nem um pouco. Johannes me dizia o tempo todo que eu fiz um bom trabalho e que estava agradecido. A primeira sessão foi em Moscou, foi o último filme a ser exibido na mostra competitiva.
Como foi sua reação ao saber que havia ganhado o prêmio de melhor ator no Festival de Cinema de Moscou? Estávamos em um bar e a diretora do festival chamou a Dritan (o produtor de Albânia) e disse-lhe para não sair de onde estávamos. Ela lhe disse algo e logo se dirigiu a mim com um sorriso: “senhor Arben, é você o melhor ator do festival. Vamos adiar sua passagem de volta, para que possa estar na noite de gala”. Eu comecei a ri e a primeira coisa que eu disse foi: “não tenho nada para vestir”.
Não só eu, mas todos os demais estavam dispostos a ir sem ganhar prêmio algum. Lembro-me que apenas levei calças jeans e três camisas. Depois de 10 minutos a diretora voltou. Esta vez as notícias eram sobre Johannes: havia ganhado o Prêmio especial dos jurados.
Foi um momento muito bonito para todos, mas talvez para Dritan, mais. Ele havia sido acusado de gastar o dinheiro dos fundos públicos do país, em um assunto esgotado. O filme terminou sendo um grande sucesso em todos os festivais que fomos, assim o dinheiro investido valeu a pena.
O que foi mais difícil para representar a Arben? As vezes, Johannes me dizia depois de uma tomada: "a cena funciona, mas vi a Nik, quero ver a Arben". Isso me deixava louco, mas ao final íamos tomar uma cerveja.
Também tive problemas com uma mão quando fomos a Berlim. Eu a quebrei ao subir umas escadas e fomos obrigados a adiar o cronograma de filmagens por mais de duas semanas. Dias difíceis a princípio, mas usei como férias para conhecer a cidade.
O que representa Arben em sua carreira? Arben é como um presente especial. Eu o vejo como um momento decisivo para minha carreira como ator. Chegou no tempo certo. Antes de Arben estava tendo uma vida preguiçosa. Também me faz rir porque não engordei mais depois de trabalhar no filme. Sempre gosto de pensar que ele me deu mais do que eu dei.
Quais são os seus planos para o futuro? Juntar um pouco de dinheiro e logo, por que não, viajar a Nova York ou voltar a Londres, onde vivia antes de vir a Istambul.
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