Irlanda do Norte: uma breve história de uma das sociedades modernas mais divididas

Irlanda do Norte: uma breve história de uma das sociedades modernas mais divididas

A Irlanda é uma terra de diversidade. Dentro de suas vastas terras, muitas famílias de diferentes crenças assentaram-se há vários séculos. Católicos e protestantes, incluindo anglicanos e presbiterianos, assim como muitas outras religiões tem rivalizado pelo domínio sobre o lado espiritual do povo irlandês. Um assunto que deu lugar a protestos, à divisão e à guerra no país.

Ireland troubles


Na Irlanda do Norte, tanto os nacionalistas católicos e unionistas protestantes conviveram durante séculos, às vezes pacificamente, às vezes não. Suas diferenças deram lugar à divisão de ilha em dois países diferentes: um, a República da Irlanda, um membro independente da União Europeia; outro, Irlanda do Norte, um país dentro do Reino Unido, onde a violência governou durante três décadas com o país dividido em dois. A metade nacionalista e católica defendendo a soberania da Irlanda em seu conjunto, e a outra metade unionista, com uma maioria de membros protestantes, defende a anexação britânica.

O conflito moderno na Irlanda começou no início de 1936, quando o IRA (Exército Republicano Irlandês) foi declarado ilegal pelo governo de Eamon de Valera, o que provocou uma violenta campanha contra a Grã-Bretanha e seus interesses na Irlanda. Mas o principal problema começou em fins de 1960, quando foram emitidas uma série de medidas discriminatórias contra a minoria católica pela maioria protestante. Um dos eventos que despertaram a ira dos nacionalistas radicais foi o caso de uma jovem protestante de 19 anos, para a qual deram benefícios de moradia por cima de duas famílias católicas que passavam necessidades.


Protestos massivos e manifestações foram realizadas por nacionalistas católicos que defendiam seus direitos civis, mas apesar das intenções pacíficas, irromperam em distúrbios depois que protestantes atacaram os manifestantes e a polícia reagiu violentamente contra eles.

Nas décadas de 1970 e 1980, a violência escalou a níveis nunca antes vistos na ilha. O IRA foi dividido em duas facções: a Provisória e a Oficial; a primeira focou em ações não violentas e civis enquanto a segunda empreendeu uma campanha armada contra o domínio britânico da Irlanda do Norte. Este é o contexto social instável no qual se desenvolve o filme Encurralado.

Bombardeios, assassinatos seletivos e violência étnico-religiosa chegavam aos jornais quase todos os dias. Em 1972, O IRA Provisório assassinou 100 soldados, feriu 500 e levou a cabo cerca de 1300 atentados, enquanto os paramilitares unionistas respondiam com brutais torturas e assassinatos de nacionalistas.

   

Ireland troubles

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Na década de 1990, ambas as partes declararam cessar fogo, com períodos intermitentes de violência, mas, finalmente, em 1998, chegou-se a um acordo de paz que conduziu ao Acordo de Belfast, também denominado como Acordo da Sexta-feira de Páscoa, na qual católicos e protestantes concordaram restaurar a autonomia à Irlanda do norte sobre a base de compartilhar o poder.

Hoje, Martin McGuinness, antigo membro do IRA – acusado de ser comandante e cabeça de ataques violentos – é vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte. Em um feito histórico, na quarta-feira de 27 de junho de 2012, McGuinness apertou a mão da rainha Elizabeth II em Belfast, um símbolo da reconciliação entre as duas nações.

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