|
|
Roger Salengro: mártir dos trabalhadores Seu nome não é popular no panteão dos mártires modernos em uma sociedade que hoje admira mais os artistas do que os políticos. No entanto, a maioria dos direitos que todos têm hoje como trabalhadores foi resultado de suas políticas e de sua visão para fazer deste um mundo mais justo para todos. Roger Salengro era um homem dedicado a causas sociais desde o início. Ele passou a infância em Dunkirk, no norte da França, e, em seguida, mudou-se para Lille para estudar literatura na Universidade de Lille. Lá, ele começou sua carreira em movimentos sociais assim que entrou para a Seção Francesa da Internacional Operária, um partido socialista, e fundou uma organização de estudantes de esquerda. Durante o serviço militar em 1912, ele cometeu atos de rebelião contra a lei dos Três Anos e foi listado na "Carnet B", um documento com os nomes dos suspeitos de espionagem durante a Terceira República Francesa. Salengro se inscreveu no Exército Francês novamente durante a Primeira Guerra Mundial e foi capturado pelas forças alemãs por três anos depois que tentou recuperar o corpo de um amigo após uma batalha. Após sua libertação, seu mau estado ficou evidente, já que seu peso era de apenas 42 kg. Após a guerra, Roger Salengro se tornou jornalista e voltou para o ativismo político. Seu comportamento ansioso e pontos de vista políticos o levaram a se tornar conselheiro municipal eleito em Lille e conselheiro geral de Lille-Sud-Ouest. Em 1925, Salengro foi eleito prefeito de Lille. Ele foi reeleito em 1929, após a renúncia de Alexandre Bracke-Desrousseaux, e ocupou o cargo novamente em 1935. |
Sua carreira política foi impulsionada em 1936, quando o Presidente, Léon Blum, nomeou-o Ministro do Interior. Durante esses anos com a Frente Popular, um partido socialista líder no país, muitas reformas sociais foram promulgadas para facilitar a vida dos pobres na França. Uma das grandes reformas, e talvez o maior legado de Salengro para a França e para o mundo, foi a assinatura dos Acordos de Matignon. O documento foi criado depois de uma greve geral maciçamente seguida após a eleição da Frente Popular em maio de 1936, e é considerada a "Magna Carta do Trabalho Francês". No acordo, os trabalhadores receberam, entre outras coisas, o direito legal a greve, a remoção de todos os obstáculos à organização sindical, um aumento salarial de 7-12 por cento para todos os trabalhadores e férias remuneradas. No meio das mudanças do governo de Blum, algumas lideradas por Roger Salengro, este último foi objeto de uma campanha de difamação organizada por figuras e políticos de extrema-direita após suas ações contra os "liges", que eram movimentos de extrema direita com ligações ao fascismo. A campanha contra Salengro começou em 14 dejulho de 1936, com a publicação de um artigo no jornal L'Action Française em que o Ministro foi acusado do pior crime daquela época: deserção na Primeira Guerra Mundial. Logo depois, as alegações foram replicadas por outros jornais da extrema-direita, como Gringoire, e políticos como Henri Becquart lideraram uma cruzada de difamação que também incluía acusações de homossexualidade. Todas as acusações foram negadas pelo próprio Salengro, pelo Presidente Léon Blum e pelo Exército, com documentos que provaram que em vez de ter abandonado, ele foi mantido em cativeiro pelos alemães. Cansado da campanha contra ele, Roger Salengro cometeu suicídio em 18 de novembro de 1936, em seu apartamento em Lille, deixando duas cópias do jornal Gringoire e duas cartas em que ele escreveu: "se eles não conseguiram me desonrar, pelo menos serão responsáveis pela minha morte". Depois das emoções despertadas pela sua morte, em 18 de dezembro uma lei foi promulgada agravando as sanções por difamação através da imprensa. |
|
|



