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Voltar ao Uma Recepção de Herói Entrevista com Brigitte Maria Bertele (Director) Qual foi o maior desafio na direção do filme?
O maior desafio foi trabalhar com o ator extremamente jovem, Jona Ruggaber, que interpreta o personagem de Benni. Isto porque a relação entre o soldado David e seu meio-irmão mais novo Benni mostra uma co-dependência complexa que oscila entre pólos extremos: ele tem um grande amor, cuidado e confiança que, de outro lado, estão acompanhados por abuso e violência. Jona tinha de expressar uma gama muito ampla de emoções e meu objetivo era apoiá-lo para que pudesse alternar rapidamente entre diferentes sensações e encorajá-lo para que deixasse acontecer coisas que não conhecia.
O que você achou mais difícil de narrar na história de um veterano de guerra?
No início de minha pesquisa em 2007, eu comecei falar com os soldados que voltaram do Afeganistão e teve de perceber que a disposição no exterior já não consistia apenas em uma missão de paz, senão que a Alemanha estava definitivamente envolvida em uma guerra. Os políticos alemães temem usar a palavra "guerra" já que o envolvimento de tropas alemãs na ISAF (Força Internacional de Assistência para Segurança) é discutido com muita controversa entre o público, entre outras razões, devido a nossa história. Qual foi o ponto de partida da história?
Um conhecido da escritora Johanna Stuttmann esteve no Kosovo com as Bundeswehr (as forças armadas da Alemanha) em 2000 e ele voltou muito diferente, externa e internamente. Desde então, a escritora pesquisou até que ela decidiu começar a trabalhar no roteiro de Uma recepção de herói. Além disso, um inquérito oficial feito pela roteirista sobre o estresse pós-traumático ao escritório de imprensa das Bundeswehr foi respondido com a afirmação de que esses casos eram quase inexistentes. Os soldados afetados com TEPT (Transtorno de estresse pós-traumático) com que falamos pediram ficar no anonimato, visto que temiam uma perda terrível de reconhecimento por parte de seus camaradas e superiores. O roteiro mudou durante a filmagem?
Desde o primeiro momento que eu li o material, a história de David me fascinou. O mais importante para mim não foi intervir no curso da história senão desenvolver uma abordagem muito pessoal ao material, permitindo-me levar a cabo as cenas, que frequentemente foram muito exigentes. Como foi a aceitação do filme entre os críticos e os espectadores alemães?
A resposta foi gigante porque o assunto dos veteranos de guerra alemães não tinha sido muito discutido, até o lançamento do filme. Até um membro do exército alemão, fundou uma iniciativa chamada Angriff auf die Seele ("Ataque na alma") depois de ter assistido o filme no Festival de Cinema de Berlim em 2008 com o objetivo de ajudar os soldados afetados e de gerar maior consciência entre os soldados e seus familiares. Que investigação houve por trás do desenvolvimento do caráter de David?
O personagem de David esteve baseado em muitas entrevistas com pessoas que tinham retornado do Afeganistão e de outras regiões em crise, assim como em conversas com soldados e policiais que assassinaram durante o serviço. Nós também falamos com psicólogos especializados no tratamento do transtorno de estresse pós-traumático. Quais são seus próximos projetos?
Eu terminei de filmar neste ano um filme chamado Der Brand ("O fogo") sobre o TEPT depois de ter sofrido violência sexual. O longa-metragem terá sua estreia mundial no Festival Mundial de Cinema de Montreal, em agosto de 2011. Atualmente, eu estou preparando um documentário na África que nós esperamos que seja lançado em 2012. |

