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Entrevista com Martina Schöne-Radunski (Protagonista)
Como você se envolveu neste projeto? Philipp me viu no filme Kaptn Oskar (2013) do diretor Tom Lass, onde eu retratava uma ex-namorada um pouco obscura que tenta e consegue parcialmente controlar o namorado com problemas. Naquela época, eu estava em começando a ser considerada para papeis de mulheres rebeldes selvagens, o que eu gosto. Adoro interpretar vilãs. Mas Philipp estava e continua interessado em escolher para os atores papéis diferentes do que eles costumam interpretar. E então ele pensou que seria interessante me mostrar como um ser humano mais delicado e mais terno.
A primeira vez que nos encontramos foi em um café takeaway em uma estação de metrô. Ele me deu o roteiro, que naquela etapa consistia em 6 páginas. E então me pediu para lê-lo enquanto caminhava pela estação de trem. Quando voltou, ele me perguntou se eu estava interessada em interpretar Luca.
O que atraiu você para essa personagem? Fiquei atraída pela ideia de interpretar alguém que é muito diferente de mim e isso ampliou o meu espectro como atriz. Todo ator está interessado em interpretar uma ampla variedade de personagens. Luca é uma personagem muito próxima da realidade. Todos conhecemos alguém como ela. Às vezes, dói ver um amigo não ser capaz de resolver ou lidar com uma situação difícil. O filme pede para colocar um pouco de confiança nesses "casos aparentemente sem esperança", como o de Luca. Para lhes permitir algum espaço para autoajuda.
Qual aspecto da sua personalidade você usou para Luca? A história começa quando Luca está de pé em um caminho: Ela vai voltar para a depressão ou vai continuar seu caminho e terminar o ensino médio? Sem dúvida, eu e certamente todas as outra pessoas já enfrentou momentos de dúvida e falta de perspectiva. Especialmente estando envolvida com a profissão de atriz. Então, isso não é estranho para mim. As pessoas não devem ver a "dúvida" como uma coisa negativa. Isso significa que você está procurando algo novo. No entanto, eu me sinto muito diferente de Luca. Quando começamos a filmar, Philipp teve que me fazer ficar no jeito certo antes das cenas, extraindo minha energia. Depois de sete dias de filmagem, Luca tinha entrado em mim. Após o final da filmagem, demorou muito para mandá-la embora.
A história de Luca é a mesma que muitos jovens enfrentam durante a transição entre a adolescência e a idade adulta. Quão difícil você acha que a evolução pode ser em um país como a Alemanha? Eu era estudante de nota 10 até os 15 anos e achava que sabia tudo. Eu gostava muito de Marilyn Manson e alguns dos meus professores achavam que isso era uma prova de que eu era uma "pessoa do mal", o que eles me falavam na cara. Naquela época, isso me magoou e não consegui resolver a situação sozinha. Senti-me alienada da minha vida de adolescente no interior. Eu odiava morar na pequena vila onde nasci que tinha apenas 1.500 pessoas, onde ninguém sabia nada e defendia a sua mentalidade fechada do interior.
Depois que me mudei aos 16 anos, frequentei muitas escolas diferentes, mudei de universidades e dos lugares em geral. Eu me sentia inquieta, mas determinada. Essa inquietação ficou comigo por um longo tempo.
Luca e eu amadurecemos tarde. E isso é algo que está se tornando "normal" nos dias de hoje. Não tendo certeza de onde é o nosso lugar na vida, do que fazer, mas com muitos concorrentes. É o niilismo que não é mais uma ideologia, mas se tornou uma realidade cotidiana. Isso cria uma juventude prolongada. As expectativas são altas e criam desorientação. A intuição é algo que você perderá ao longo do caminho e que vai querer recuperar assim que perceber que a perdeu.
Também na história, é difícil para Luca se sentir como um ser humano igual a sua mãe enquanto ainda está sendo observada e avaliada por ela, aos 26 anos! Quem ela se tornaria se a mãe não estivesse lá? Mas, obviamente, Luca também não se importa muito com o que a mãe pensa. Ela pega o que precisa e tenta manter a distância, algo em que realmente teve que lutar no passado, vendo a sua mãe testemunhar seus anos de depressão.
Depois de um ano de lançamento do filme, existe algo que você acha que faria diferente agora no filme? Claro que há algumas cenas que eu faria diferente agora, mas acho que é um trabalho detalhado. O filme expressa o que foi pretendido com ou sem esses detalhes.
Como uma jovem atriz, o que significa que um filme onde você teve o papel principal será transmitido em lugares tão remotos como a Colômbia e a Guatemala? Eu acho que este filme fala muito para a geração dos pais dos nascidos nos anos 80 e 90. Os problemas que Luca e, posteriormente, o seu ambiente enfrentam são conhecidos globalmente. Saber que minha atuação será vista em partes do mundo que nunca estive é empolgante. Eu realmente espero que as pessoas gostem e estou curiosa para saber o feedback.
Você está trabalhando em algum projeto no momento? Pode nos falar algo sobre ele? Acabamos de filmar outro "Longa Eichholtz" há uma semana. Uma história muito diferente e o oposto do que Luca representa. Mas com a maneira de falar de Philipp dos conflitos: com amor e simpatia por suas personagens.
Outro filme que filmei recentemente foi Sowas Von Da do diretor Jakob Lass.
Voltar ao Luca Dança em Silêncio
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