Entrevista Com Orso Miret: Retornando Ao Cinema Com Um Álibi

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Entrevista Com Orso Miret: Retornando Ao Cinema Com Um Álibi

Após seis anos de silêncio, o aclamado cineasta da Córsega Orso Miret retorna com Um Álibi, um suspense envolvente. Conversamos com o diretor para discutir seu trabalho mais recente e sua jornada criativa.

Seu novo filme, Um Álibi, marca o fim de um hiato de seis anos. O que levou a essa pausa na sua carreira cinematográfica?
Propus muitos projetos para cinema e televisão, mas todos foram recusados — essa é a natureza desta profissão. Eu havia desenvolvido um projeto sobre a Córsega para a televisão pública que nunca se concretizou. Então, a Compagnie Phares et Balises me mostrou esse lindo roteiro e eu agarrei a oportunidade.

Ao contrário de seus trabalhos anteriores, você não escreveu o roteiro. Como foi a experiência de dirigir a história de outra pessoa?
Foi verdadeiramente libertador. Normalmente, escrevo minhas próprias histórias, mas em Um Álibi me ofereceram uma ficção já escrita, na qual eu poderia me aprofundar enquanto a adaptava para a televisão. No set, eu me senti como um peixe na água, trabalhando com uma equipe técnica excepcional.

Você pode nos contar sobre o enredo de Um Álibi?
É um suspense que levanta uma questão fundamental: Max matou a esposa? Amigos se reúnem para comemorar um aniversário e encontram Max ajoelhado ao lado do corpo da esposa assassinada. Convencidos de sua inocência, decidem lhe dar Um Álibi. Mas o filme vai além dos limites de um drama policial típico — explora a amizade, a lealdade e a fragilidade do testemunho, colocando-nos no centro do mistério humano.

Como você descreveria sua abordagem de direção para esse projeto?
Um Álibi me libertou na encenação. Eu queria movimento, então filmei extensivamente com uma steadicam para acompanhar a ação de perto. Eu queria que a câmera estivesse conectada à história, unindo a narrativa e os elementos visuais. O roteiro não foi fácil de adaptar — cinco personagens principais com flashbacks e pistas falsas — mantendo uma visão objetiva da investigação policial.

Seus filmes frequentemente evidenciam os aspectos mais sombrios da humanidade. De onde vem essa inspiração?
Minha inspiração vem do questionamento permanente sobre a natureza humana — sua selvageria e animalidade. Minha ilha natal, Ascu, é meu lugar de reflexão e escrita. Ela representa a vida real: a montanha, as caminhadas pelas trilhas, a caça e o compartilhamento de experiências cotidianas com amigos da aldeia.

O que vem a seguir para Orso Miret?
Sinto-me atraído pela ideia de criar uma série — tenho um conceito original em mente, mas não direi mais nada por superstição. Também gostaria de fazer uma comédia, que fosse diferente do meu universo criativo habitual — talvez ambientada na Córsega. O que mais importa é a qualidade da história que queremos contar.

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