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A Polônia e seu passado comunista
A série Primeiro Ministro traz com incrível fidelidade o atual sistema político polonês e as tensões que o cercam. Para entender a série, é necessário recordar uma parte da história da Polônia. Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, a Polônia foi invadida de surpresa pela Alemanha nazista e reduzida a uma zona de destruição e extermínio. Ao final da guerra, com a vitória, as tropas soviéticas deram descanso à Polônia. Suas fronteiras foram redefinidas nas Conferências de Yalta e Potsdam.
O Governo da União Nacional, formado em 1945 a mando de Stalin, foi sucedido por um “bloco democrático” e o Partido Socialista liderado pelo Partido do Trabalho em 1947. Ambos fundiram-se em um único partido a favor dos trabalhadores. O novo Estado polonês foi desenvolvido sob o olhar rígido de Moscou. Seu líder Bierut, indicado pela União Soviética, ganhou o apelido de “Stalin Polonês”. Mas a Polônia também era um país eminentemente católico. A repressão à Igreja pelo Estado comunista era sinônimo de problemas. Gomulka, um político mais brando que Bierut e a favor do “caminho polonês para o socialimo”, foi encarregado de acalmar os nervos. Começou reformas liberais, e a Polônia permaneceu subserviente à União Soviética.
A eleição de Karol Wojtyla, arcebispo de Cracóvia e conhecido como Papa João Paulo II, incentivou as aspirações da liberdade intelectual e política polonesa. Por conta de repetidas crises e protestos de trabalhadores e estudantes, as negociações entre governo e oposição em 1989 levaram à instituição da democracia. Entre gratidão e revolta vemos como as atitudes polonesas diante do comunismo podem ser contraditórias. O ponto de partida da série de TV é a revelação pública da vida do Primeiro-Ministro e seu passado comunista; ele então é forçado a afastar-se do cargo, levando o país a um período de instabilidade política. Na realidade, a série Primeiro Ministro pretende explicar o funcionamento do sistema político na Polônia, assim como as posições contraditórias do país com relação ao comunismo. |



